Viajar é esse lugar pra dar passagem, é desgarrar fronteira inventada na gente e abrir as portas da percepção. É dar intenção pro novo e sentido pra liberdade.
Aprendi a caminhar do meu jeito e observar despretenciosamente os fatos, nesse nascer antropológico de conhecer gente; e gente incrível tem em todo canto do mundo, e nem precisa ser canto quando a gente pode ser mundo.
É óbvio ser romântico em Paris, pra quem ama é óbvio ser romântico em qualquer lugar; e essa é a natureza dos lugares, a natureza da gente, mas isso só quando a gente é mundo.
Sair daqui e não sair de sí é o fundamento de viver no presente em todo lugar e meu maior luxo é voltar de saudade sem se quer ter partido. Toda a matéria tem origem em alguma estrela e é impossível pensar dividido quando somos todos um só.
Não tenho grande vontade de conhecer outro mundo que não o meu, mas o Velho tem uma história impregnada no seu tempo, nessa história de viver com calma um continente inteiro.
Pra falar de amor
não precisa de português correto e tal,
não precisa nem de português,
não precisa nem falar nada.
Se silencio é pra te dizer que te amo
no vento que canta tua janela.
Talvez um dia eu aprenda que o mundo não vai acabar hoje, que essa não é minha última hora – talvez eu aprenda um dia – até lá vou amar como se não houvesse amanhã.
Amar é esse livro todo escrito, e que algumas vezes não tem palavras.
É sempre assim que a saudade me assalta, com esse vandalismo de arremessar garrafas ao mar.
subterrâneo
coração iceberg
ilha dos sonhos
máquina de poesia
instrumento valvulado
canta em oitenta batimentos
nos dias normais
em cento e sessenta canta
nos dias corridos
corre e
ao ver um amor passar
para
paira em sopro de liberdade
aspira os desejos
rouba lugar do pulmão e respira
tal é a sua sina
inspira e toma forma de gente
nunca desiste
nunca se engana
coração não é cego
– porque coração não é gente!
saudade dos telefones antigos
da ligação por pulso
que cobravam impulso
e ligavam a gente
pelos fios enrolados
e não importunavam
os momentos alheios
porque telefone antigo
morava em casa
e a gente morava no mundo